quarta-feira, 22 de junho de 2016

Pessoas não são escadas


O aspecto da cultura de nós humanos que mais me incomoda sempre foi a necessidade ou capacidade quase que intrínseca de diminuir outras pessoas para se sentirem bem ou conquistar alguma coisa. Outro aspecto inerente a nós devido a nossa cultura é o fato de lermos isso e logo pensarmos financeiramente falando (pessoas que prejudicam seus colegas de trabalho, pessoas que dão golpes financeiros, etc.), mas não é somente a isso que me refiro aqui.

Provavelmente, quase que certamente, o fato de por anos eu ter sido diminuído por meus colegas de escola para que eles pudessem conquistar aceitação e popularidade uns com os outros tenha me deixado com uma tolerância bastante rasa para esse tipo de coisa, fazendo com que eu consiga percebe-la nas mínimas atitudes do dia a dia.

Os comediantes sempre ridicularizam alguém ou uma classe para conquistar o riso de sua plateia, seja ela um teatro lotado ou um grupo de amigos em uma reunião caseira. Membros de equipe faltam com suas obrigações, pois sabem que os outros vão dar conta do recado. Amigos de prestadores de serviço usam dessa amizade para “furar fila” nos processos que normalmente levariam semanas ou meses. Pessoas deixam de fazer seus trabalhos como deveriam. Pegamos mais do que precisamos, desrespeitamos leis (porque ninguém está olhando), deixamos de fazer... Caso não tenha ficado claro, em cada uma dessas ocasiões, e em muitas outras que não me lembrei de colocar aqui, estamos prejudicando alguém, estamos passando por cima de alguém para conquistar algo que nos interessa.

Por mais corretos que busquemos ser com relação a este assunto, sempre nos pegamos usufruindo “da deixa” de outras pessoas para também nos beneficiarmos à custa dos outros. Seja rindo da piada de alguém, seja comprando um cd pirata que nada repassa aos detentores dos direitos autorais, seja usufruindo dos frutos de desvio de dinheiro (nesse caso muitas vezes de maneira inocente).

Várias vezes eu fiz corpo mole em uma atividade em grupo, varias vezes eu ri e aprovei piadas que diminuíam outras pessoas e já usei de conhecidos para furar filas. Sempre encontramos uma justificativa para fazermos isso. Mas sabe o que é o mais incrível? Quando somos nós os prejudicados, sempre taxamos o ato de absurdo, injusto e cruel.

Quão hipócritas somos!

Deus é bem claro quanto a isso ao falar através de Paulo em CO 10:24 “Ninguém busque o seu próprio interesse, e sim o de outrem”. Simples, seco e direto. Nem mesmo nossas orações seguem esse mandamento, quanto mais nossas atitudes.



Existem dois tipos de pessoas no mundo. De um lado está aqueles que leem um texto como esse e pensam “eu conheço um monte de gente assim” e do outro aqueles que pensam “realmente, eu sou assim”. Infelizmente o primeiro grupo tem muito mais adeptos que o segundo, mas são os do segundo grupo os únicos capazes de realizar alguma mudança, seja neles, seja, depois, nos que estão no primeiro grupo.

Dale Carnegie, no livro “Como fazer amigos e influenciar pessoas”, revela o seguinte:



"poucos criminosos em Sing-Sing se consideram más pessoas. São tão humanos como você e eu. Por isso justificam e explicam. Eles podem dizer-lhe por que foram rápidos no apertar o dedo no gatilho. A maioria deles tenta, por uma forma de raciocínio, falsa ou lógica, justificar seus atos anti-sociais para si mesmos e, conseqüentemente, sustentam com arrogância que não deviam estar presos". (pg. 34)



Ou seja, as pessoas sempre acham que estão certas, não importa o que dissermos. Com isso, não devemos condenar a humanidade por sua ignorância, os ignorantes não conseguem enxergar nem o chão que pisam. Cabe aos que conseguem conceber mudanças, realiza-las.

Porém, tem aqueles que reconhecem seus atos. Sabem que passam por cima de outras pessoas para poder conquistar seus objetivos e acreditam que isso seja absolutamente normal. Estes podem parecer os mais cruéis dos humanos, mas não o são, eles na verdade são apenas os mais autênticos, com valores destorcidos biblicamente falando, mas autênticos, pois vivem de acordo com o que acreditam.

Quanto a isso, você já ouviu o ditado “Não de murro em ponta de faca”? ou que tal “Não fique remando contra a maré”?, bom, a bíblia tem um provérbio bastante parecido: “Não fales aos ouvidos do insensato, porque desprezará a sabedoria das tuas palavras” (PV 23:09)

O filme “Quarto de Guerra” mostra que não cabe ao homem mudar corações, e sim a Deus. Em casos como estes, tudo que podemos fazer é orar, abrir caminho e deixar Deus agir. Mas devemos lembrar sempre que, o primeiro coração que devemos pedir para ser transformado é o nosso próprio, sempre!






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