O
aspecto da cultura de nós humanos que mais me incomoda sempre foi a necessidade
ou capacidade quase que intrínseca de diminuir outras pessoas para se sentirem
bem ou conquistar alguma coisa. Outro aspecto inerente a nós devido a nossa
cultura é o fato de lermos isso e logo pensarmos financeiramente falando
(pessoas que prejudicam seus colegas de trabalho, pessoas que dão golpes
financeiros, etc.), mas não é somente a isso que me refiro aqui.
Provavelmente,
quase que certamente, o fato de por anos eu ter sido diminuído por meus colegas
de escola para que eles pudessem conquistar aceitação e popularidade uns com os
outros tenha me deixado com uma tolerância bastante rasa para esse tipo de
coisa, fazendo com que eu consiga percebe-la nas mínimas atitudes do dia a dia.
Os
comediantes sempre ridicularizam alguém ou uma classe para conquistar o riso de
sua plateia, seja ela um teatro lotado ou um grupo de amigos em uma reunião
caseira. Membros de equipe faltam com suas obrigações, pois sabem que os outros
vão dar conta do recado. Amigos de prestadores de serviço usam dessa amizade
para “furar fila” nos processos que normalmente levariam semanas ou meses.
Pessoas deixam de fazer seus trabalhos como deveriam. Pegamos mais do que
precisamos, desrespeitamos leis (porque ninguém está olhando), deixamos de
fazer... Caso não tenha ficado claro, em cada uma dessas ocasiões, e em muitas
outras que não me lembrei de colocar aqui, estamos prejudicando alguém, estamos
passando por cima de alguém para conquistar algo que nos interessa.
Por
mais corretos que busquemos ser com relação a este assunto, sempre nos pegamos
usufruindo “da deixa” de outras pessoas para também nos beneficiarmos à custa
dos outros. Seja rindo da piada de alguém, seja comprando um cd pirata que nada
repassa aos detentores dos direitos autorais, seja usufruindo dos frutos de
desvio de dinheiro (nesse caso muitas vezes de maneira inocente).
Várias
vezes eu fiz corpo mole em uma atividade em grupo, varias vezes eu ri e aprovei
piadas que diminuíam outras pessoas e já usei de conhecidos para furar filas.
Sempre encontramos uma justificativa para fazermos isso. Mas sabe o que é o
mais incrível? Quando somos nós os prejudicados, sempre taxamos o ato de
absurdo, injusto e cruel.
Quão
hipócritas somos!
Deus
é bem claro quanto a isso ao falar através de Paulo em CO 10:24 “Ninguém busque
o seu próprio interesse, e sim o de outrem”. Simples, seco e direto. Nem mesmo
nossas orações seguem esse mandamento, quanto mais nossas atitudes.
Existem
dois tipos de pessoas no mundo. De um lado está aqueles que leem um texto como
esse e pensam “eu conheço um monte de gente assim” e do outro aqueles que
pensam “realmente, eu sou assim”. Infelizmente o primeiro grupo tem muito mais
adeptos que o segundo, mas são os do segundo grupo os únicos capazes de
realizar alguma mudança, seja neles, seja, depois, nos que estão no primeiro
grupo.
Dale Carnegie, no livro “Como fazer amigos e influenciar
pessoas”, revela o seguinte:
"poucos criminosos em Sing-Sing se
consideram más pessoas. São tão humanos como você e eu. Por isso justificam e
explicam. Eles podem dizer-lhe por que foram rápidos no apertar o dedo no
gatilho. A maioria deles tenta, por uma forma de raciocínio, falsa ou lógica,
justificar seus atos anti-sociais para si mesmos e, conseqüentemente, sustentam
com arrogância que não deviam estar presos". (pg. 34)
Ou seja, as pessoas sempre acham que estão certas, não
importa o que dissermos. Com isso, não devemos condenar a humanidade por sua
ignorância, os ignorantes não conseguem enxergar nem o chão que pisam. Cabe aos
que conseguem conceber mudanças, realiza-las.
Porém,
tem aqueles que reconhecem seus atos. Sabem que passam por cima de outras
pessoas para poder conquistar seus objetivos e acreditam que isso seja
absolutamente normal. Estes podem parecer os mais cruéis dos humanos, mas não o
são, eles na verdade são apenas os mais autênticos, com valores destorcidos
biblicamente falando, mas autênticos, pois vivem de acordo com o que acreditam.
Quanto
a isso, você já ouviu o ditado “Não de murro em ponta de faca”? ou que tal “Não
fique remando contra a maré”?, bom, a bíblia tem um provérbio bastante
parecido: “Não fales aos ouvidos do insensato, porque desprezará a sabedoria
das tuas palavras” (PV 23:09)
O filme “Quarto de Guerra” mostra que não cabe ao homem
mudar corações, e sim a Deus. Em casos como estes, tudo que podemos fazer é
orar, abrir caminho e deixar Deus agir. Mas devemos lembrar sempre que, o
primeiro coração que devemos pedir para ser transformado é o nosso próprio,
sempre!
Nenhum comentário:
Postar um comentário